As cooperativas e o cenário econômico

30 de dezembro de 2015

O ano foi difícil para as cooperativas que, no mercado, enfrentam as mesmas dificuldades e desafios das empresas mercantis. As cooperativas não repetirão os bons resultados de 2014, mas terão resultado positivo em menor escala. Acredito que a receita operacional bruta das cooperativas cresce entre 6% e 8%. O recrudescimento da inflação, com o aumento geral dos principais insumos da produção foi nosso maior problema. A economia está lenta, quase parando, e a inflação não cessa. Isso comprova o enorme fracasso da política macroeconômica do governo federal.  De um modo geral todos os ramos foram afetados. As cooperativas agropecuárias e as de crédito são aquelas com melhor desempenho. As cadeias produtivas da avicultura industrial, da suinocultura industrial, do leite e dos grãos geraram um grande movimento econômico, estimuladas pelas exportações e pelo comportamento do câmbio. O aumento geral dos custos, entretanto, reduziu as margens de resultado. Por outro lado, as cooperativas de crédito aumentaram seu protagonismo no mercado financeiro, com crescimento do número de associados e no volume das captações e das operações de crédito.  Infelizmente, as projeções não são boas. O consumo vai diminuir e o desemprego aumentar. O ambiente de negócios no Brasil não é bom. O nível de confiança de todos os agentes econômicos – especialmente dos empresários – está baixo. O governo tem se revelado incompetente para gerir as crises que ele próprio criou. Entretanto, quem estiver operando, trabalhando com uma cooperativa tem chance de se sair melhor. Sempre devemos estar preparados, principalmente no que tange a informações e conhecimento, que acompanhado de muito trabalho, certamente a crise será mais amena. Com essa visão é que o SESCOOP tem atuado com investimento muito grande nos associados, funcionários e dirigentes das cooperativas.  Mas nem tudo são pedras. Em 2016, o Sescoop/SC investirá 22 milhões de reais nas atividades de formação profissional e demais ações. Os principais programas mantidos pelo Sescoop/SC incluem formação e capacitação profissional, promoção social, monitoramento e desenvolvimento de cooperativas, ações centralizadas, ações delegadas, auxílio educação, programa Cooperjovem, programa jovens lideranças cooperativistas (JovemCoop), mulheres cooperativistas, jovem aprendiz, auxílio-educação, programa de desenvolvimento da gestão de cooperativas (PDGC), formação para conselheiros administrativos e fiscais para cooperativas de crédito (FORMACRED) e monitoramento e auditoria em pequenas cooperativas.  Outra notícia positiva é que a participação da mulher no quadro social das cooperativas de SC chegou a 37,20% (são 651.422 pessoas do sexo feminino) e deve crescer mais: até o fim deste ano de 2015, as mulheres representarão cerca de 40% do quadro de associados das cooperativas. O “Programa Mulheres Cooperativistas”, que visa a promoção e a sustentabilidade da cooperativa e do cooperativismo, aumentando a participação feminina nesse processo, será ampliado para mais cooperativas e o encontro estadual será ampliado de 700 para 1.200 mulheres. Também é expressiva a participação de jovens até 25 anos no quadro social: eles são 14,61% ou 255.400 jovens. Serão ampliados os programas JOVEMCOOP (destinado a filhos de produtores rurais associados às cooperativas catarinenses) e o COOPERJOVEM em parceria com a rede de escolas públicas para promover a cultura da cooperação.  Nós, os cooperativistas, estamos acostumados com desafios. Respondemos por 11% do PIB catarinense. A força do cooperativismo barriga-verde está nas suas 253 cooperativas que reúnem mais de 1,7 milhão de famílias associadas. Continuaremos trabalhando de forma COOPERADA para que sejamos cada vez mais os protagonistas da mudança. Esperamos que o associado operem cada vez mais com suas cooperativas e que suas diretorias, com a autogestão, continuem o trabalho democrático e participativo junto ao quadro social.

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