PAPO DE NUTRI: Em defesa do feijão com arroz

PAPO DE NUTRI: Em defesa do feijão com arroz

Por Simone A. Guzzon

Nutricionista CRN: 104650

O tradicional prato de arroz e feijão está aparecendo com menos frequência na alimentação do brasileiro, é o que mostra a pesquisa Vigitel, Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por Inquérito Telefônico, realizado em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, segundo a pesquisa o consumo regular de feijão caiu 6,2% em quatro anos, 67,5% da população estudada tinha um consumo regular de feijão no ano de 2012, já em 2016 esse número caiu para 61,3%.

Observa-se que a participação dos feijões no valor energético da alimentação diminui com o aumento da renda, de tal forma que nas classes de renda mais elevada o consumo é menos da metade que na classe de famílias mais pobres.

A pesquisa mostra a ocorrência da transição nutricional, que corresponde a mudanças nos padrões nutricionais da população, essencialmente determinadas por alterações na estrutura da dieta e na composição nutricional dos indivíduos, resultando em importantes modificações no perfil saúde e nutrição.

A transição nutricional mudou não apenas o que se come, mas onde, quando e como. A dieta adotada passou a ser rica em açúcares, gordura, colesterol e pobre em carboidratos complexos e fibras, tais modificações alimentares, associadas ao sedentarismo crescente, culminam em o aumento da obesidade e outras doenças crônicas não-transmissíveis.

O feijão é um alimento que faz parte do grupo das leguminosas, sendo as leguminosas os vegetais mais ricos em proteínas, quando cozidos contem de 6% a 11% de proteína. As leguminosas incluem os vários tipos de feijões (verde, branco, preto, carioca, vermelho) e também as lentilhas, ervilhas, fava, soja e grão-de-bico.

O feijão contem carboidratos complexos (amido), boa quantidade de fibra alimentar, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e outros minerais, bem como os compostos bioativos. A combinação de arroz e feijão, na proporção 1 parte de feijão para duas partes de arroz, é uma fonte completa de proteínas para os seres humanos.

A diminuição no consumo de feijão resultou também em redução importante na ingestão de fibra alimentar, que era de 20 g na década de 70 e de 12 g na década de 90, atualmente essa ingestão ainda é menor.

Um prato básico constituído de arroz, feijão, carne e salada além de fornecer mais nutrientes, fibras e proteínas fornece maior saciedade, o que não acontece com um prato de macarrão. Os alimentos refinados e fast food contem maior densidade energética e poucas fibras, contribuindo assim com a obesidade.

Diante de tantos benefícios a saúde da população é preciso regatar, manter e valorizar esse alimento tão tipicamente brasileiro e rico do ponto de vista nutricional. Embora o consumo deveria ser de cinco vezes na semana, o consumo de três vezes na semana já garante os benefícios, e diante de tantos tipos não há desculpa para não consumir.